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terça-feira, 29 de junho de 2010

Propagandas de alimentos não saudáveis terão mensagens de alerta

29/06/2010 07h39
Anvisa publicou resolução que torna obrigatória a informação ao consumidor.
Medida inclui também publicidade de refrigerantes e outras bebidas.
Do G1, em São Paulo

imprimir A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou nesta terça-feira (29) no Diário Oficial da União uma resolução que obriga que as propagandas de alimentos considerados com quantidades elevadas de açúcar, de gordura saturada, de gordura trans, de sódio, e de bebidas com baixo teor nutricional, como os refrigerantes, venham acompanhadas de mensagens alertando para os riscos à saúde em caso de consumo excessivo. As empresas terão 180 dias para se adequar à resolução.

Segundo a Anvisa, o regulamento técnico publicado tem como objetivo "coibir práticas excessivas que levem o público, em especial o público infantil a padrões de consumo incompatíveis com a saúde e que violem seu direito à alimentação adequada". As mensagens publicitárias devem ser acompanhadas de alertas sobre os perigos do consumo excessivo desses nutrientes.

Exemplos:

a) "O (nome/ marca comercial do alimento) contém muito açúcar e, se consumido em grande quantidade, aumenta o risco de obesidade e de cárie dentária".

b) "O (nome/ marca comercial do alimento) contém muita gordura saturada e, se consumida em grande quantidade, aumenta o risco de diabetes e de doença do coração".

c) "O (nome/ marca comercial do alimento) contém muita gordura trans e, se consumida em grande quantidade, aumenta o risco de doenças do coração".

d) "O (nome/ marca comercial do alimento) contém muito sódio e, se consumido em grande quantidade, aumenta o risco de pressão alta e de doenças do coração".

Quando o alimento ou o conjunto a que ele pertença possuir quantidade elevada de dois ou mais nutrientes, deverá ser aplicado o seguinte alerta cumulativamente em relação aos nutrientes: "O (nome/ marca comercial do alimento ou conjunto) contém muito (a) [nutrientes que estão presentes em quantidades elevadas], e se consumidos(as) em grande quantidade aumentam o risco de obesidade e de doenças do coração".

Refrigerantes incluídos

A medida vale também para bebidas como refrigerantes, refrescos artificiais, concentrados para o preparo de bebidas à base de xarope de guaraná ou groselha e chás prontos para o consumo. Também se incluem bebidas adicionadas de cafeína, taurina, glucoronolactona ou qualquer substância que atue como estimulante no sistema nervoso central.

A medida deve ser aplicadas nas peças publicitárias dos alimentos. Ela não se aplica aos rótulos.

De acordo com a resolução, as empresas deverão manter em seu poder, à disposição da Autoridade Sanitária os dados fáticos, técnicos e científicos que dão sustentação à mensagem publicitária e informar seu departamento comercial e as agências de publicidade, sobre este regulamento técnico e as responsabilidades no seu cumprimento.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

VII Seminário Internacional sobre Remediação e Revitalização de Áreas Contaminadas

20 e 21 de Outubro de 2010
Centro Universitário Senac - Campus Santo Amaro - São Paulo - Brasil

CHAMADA PARA TRABALHOS
O Instituto Ekos Brasil convida especialistas brasileiros e estrangeiros a participar como palestrantes no VII Seminário Internacional Sobre Remediação e Revitalização de Áreas Contaminadas.

Serão cerca de 20 painéis, além de sessão de pôsteres e minicursos. São esperados palestrantes do Brasil, Alemanha, Estados Unidos, Suíça, França, Holanda, Canadá e de países da América Latina; dos setores público, privado e acadêmico.
Tópicos abordados:
» Análise de Risco
» Meio fraturado e intrusão de vapores
» Tecnologias de remediação, incluindo:
Air Sparging e Bioventing, Pump and Treat e MPE, processos aeróbios/anaeróbios para a degradação de contaminantes orgânicos, Atenuação Natural, Fitorremediação, Biorremediação, Imobilização de Metais para remediação de solos e águas subterrâneas, envolvendo hidrocarbonetos de petróleo (LNAPL), organoclorados (DNAPL), PCB's, pesticidas, metais pesados e outros
» Aspectos financeiros legais e jurídicos
» Estudos de caso nacionais e internacionais

O evento será realizado em São Paulo, local ideal devido ao interesse no assunto por parte dos governos local, estadual e também federal e desafiante em termos de remediação e revitalização de áreas urbanas degradadas.

A última edição reuniu mais de 300 participantes e 28 palestrantes de vários países.

Submissão de trabalhos: os trabalhos devem ser enviados em formato eletrônico com no máximo uma página até o dia 30 de julho de 2010, para o e-mail: seminario2010@ekosbrasil.org
Avaliação dos trabalhos: os trabalhos serão submetidos ao Conselho Científico do Seminário. Em agosto, a organização entrará em contato com os autores dos trabalhos aceitos, que devem ser inéditos no Brasil.

Publicações:os resumos dos trabalhos serão impressos e também incluídos no website do Ekos Brasil.

Anvisa aponta alto teor de Agrotóxicos em verduras

29% dos alimentos analisados pela Anvisa apresentam irregularidades

3.130 amostras de 20 alimentos foram analisadas pela agência em 2009.

Foram detectados resíduos de agrotóxicos e ingredientes não autorizados.
Do G1, em Brasília

Relatório da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgado nesta quarta-feira (23) aponta alta presença de agrotóxicos nos alimentos – frutas, verduras, legumes e grãos - consumidos pelos brasileiros. Das 3.130 amostras de 20 alimentos coletadas pela agência em 2009, 29% apresentaram algum tipo de irregularidade, como resíduos de agrotóxicos acima do permitido e ingredientes ativos não autorizados.

Produto Total de amostras insatisfatórias

Pimentão 80%
Uva 56,4%
Pepino 54,8%
Morango 50,8%
Couve 44,2%
Abacaxi 44,1%
Mamão 38,8%
Tomate 32,6%
Beterraba 32%
Arroz 27,2%
Cenoura 24,8%
Repolho 20,5%
Cebola 16,3%
Laranja 10,3%
Manga 8,1%
Maçã 5,3%
Banana 3,5%
Feijão 3%
Batata 1,2%

Os casos mais problemáticos foram os do pimentão, com 80% das amostras insatisfatórias; a uva, com 56,4%; o pepino, com 54,8%; e o morango, que teve 50,8%. A cultura que apresentou melhor resultado foi a da batata com irregularidades em apenas 1,2% das amostras analisadas.

Os dados fazem parte do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA). Em 2009, o programa monitorou 20 culturas em 26 estados do Brasil. Das amostras coletadas em 2009, 26,9% foram rastreadas até o produtor ou associação de produtores, 5,2% até o embalador e 64,9% até o distribuidor. Somente 3% das amostras não tiveram qualquer rastreabilidade.

Irregularidades

Segundo o relatório, em 2,7% das amostras dos alimentos coletadas, foi detectada a presença de resíduos de agrotóxicos acima dos permitidos. “Esses resíduos evidenciam a utilização de agrotóxicos em desacordo com as informações presentes no rótulo e bula do produto”, explica Luiz Cláudio Meirelles, gerente de Toxicologia da Anvisa.

De acordo com a Anvisa, agrotóxicos que apresentam alto risco para a saúde da população são utilizados no Brasil sem levar em consideração a existência ou não de autorização do governo para o uso em determinado alimento.

Em 15 das vinte culturas analisadas foram encontrados ingredientes ativos em processo de reavaliação toxicológica junto à Anvisa, devido aos efeitos negativos desses agrotóxicos para a saúde humana. “Encontramos agrotóxicos, que estamos reavaliando, em culturas para os quais não estão autorizados, o que aumenta o risco tanto para a saúde dos trabalhadores rurais como dos consumidores”, afirma o diretor da Anvisa, Dirceu Barbano.

Nesta situação, chama a atenção a grande quantidade de amostras de pepino e pimentão contaminadas com endossulfan, de cebola e cenoura contaminados com acefato, e de pimentão, tomate, alface e cebola contaminados com metamidofós. Além de serem proibidas em vários países do mundo, essas três substâncias já começaram a ser reavaliadas pela Anvisa e tiveram indicação de banimento do Brasil.

De acordo com o diretor da Anvisa, são ingredientes ativos com elevado grau de toxicidade aguda comprovada e que causam problemas neurológicos, reprodutivos, de desregulação hormonal e até câncer. “Apesar de serem proibidos em vários locais do mundo, como União Européia e Estados Unidos, há pressões do setor agrícola para manter esses três produtos no Brasil”, afirma Barbano.

A Anvisa realiza a reavaliação toxicológica de ingredientes ativos de agrotóxicos sempre que existe algum alerta nacional ou internacional sobre o perigo dessas substâncias para a saúde humana. Em 2008, a Agência colocou em reavaliação 14 ingredientes ativos de agrotóxicos. Entretanto, uma séria de decisões judiciais, também em 2008, impediram, por quase um ano, a Anvisa de realizar a reavaliação desses ingredientes.

Cuidados

Para reduzir o consumo de agrotóxico em alimentos, a Anvisa recomenda que o consumidor opte por produtos com origem identificada. Essa identificação aumenta o comprometimento dos produtores em relação à qualidade dos alimentos, com adoção de boas práticas agrícolas.

É importante, ainda, que a população escolha alimentos da época ou produzidos por métodos de produção integrada (que a princípio recebem carga menor de agrotóxicos). Alimentos orgânicos também são uma boa opção, pois não utilizam produtos químicos para serem produzidos.

Os procedimentos de lavagem e retirada de cascas e folhas externas de verduras ajudam na redução dos resíduos de agrotóxicos presentes apenas nas superfícies dos alimentos. “Os supermercados também tem um papel fundamental nesse processo, no sentido de rastrear, identificar e só comprar produtos de fornecedores que efetivamente adotem boas práticas agrícolas na produção de alimentos”, afirma Meirelles.

http://g1.globo.com/brasil/noticia/2010/06/29-dos-alimentos-analisados-pela-anvisa-apresentam-irregularidades.html

domingo, 13 de junho de 2010

Cepram retira de pauta projeto que vai devastar restinga do Francês

Ambientalistas vão se mobilizar para impedir devastação da última faixa de restinga do litoral médio alagoano

Extra Alagoas - AL08/06/2010 - 20:32

Pressionado por uma onda crescente de protestos de estudantes, professores universitários, Ong's ambientalistas e entidades, o Conselho Estadual de Proteção Ambiental (CEPRAM) foi obrigado a retirar de pauta a apreciação do pedido de Licença de Implantação para o empreendimento imobiliário "Barra de São Miguel". O motivo dos protestos é a devastação da última faixa de restinga do litoral médio de Alagoas, pretendida pela empresa paulista que está por trás do empreendimento e quer construir dezenas de casas de luxo em local que, entre outros atributos, é área de desova de tartarugas marinhas.
A decisão do CEPRAM foi adotada na reunião ordinária do colegiado, realizada terça-feira, dia 1, no Palácio Zumbi dos Palmares, em conseqüência de pedido de vistas solicitado pelo representante do Sindicato dos Jornalistas, Carlos Roberto, e pela representante do Fórum de Defesa Ambiental, Eva Priscylla Barros. Ambos argumentaram a necessidade de ouvir a sociedade civil antes de votar o polêmico pedido da construtora.
Espécies raras de jacu, tartarugas mari-nhas e chupa-dente que se reproduzem na restinga do Francês, que pode desaparecer
Para viabilizar essa sugestão, o CEPRAM aprovou o próximo dia 14 de junho como data para o primeiro encontro da Comissão de Vistas do CEPRAM com especialistas da UFAL, ONG's e re-presentantes de entidades da sociedade civil que postulam a preservação da faixa de restinga que separa as praias do Francês e da Barra de São Miguel sob o argumento de que se trata de vegetação protegida pela legislação, além de local de pouso para aves de arribação e ativo paisagístico fundamental para o atrativo do turismo na região.
Presentes à reunião, ativistas da ONG Salsa de Praia e estudantes e professores do CESMAC e do CEFET de Marechal Deodoro consideraram absurda a pretensão da construtora paulista, principalmente porque 2010 foi declarado pela ONU como o Ano Internacional da Biodiversidade e este já é o quarto empreendimento consecutivo que, a pretexto de criação de empregos, está se implantando no litoral às custas da supressão de dezenas e dezenas de hectares de manguezais e daquilo que ainda resta das restingas de Alagoas.
"Se for preciso - disse um dos representantes dos estudantes faremos uma campanha nacional para denunciar mais esse crime ambiental patrocinado inexplicavelmente pelo próprio poder público e pelas autoridades que deveriam proteger o pouco que sobrou da ve-getação de restinga em Alagoas."
Segundo ele, os estudantes já recolheram mais de 5.000 assinaturas de protesto contra a supressão da faixa de restinga e pretendem chegar a 50 mil assinaturas até a reunião do dia 14 para enca-minhá-las posteriormente ao governador Téo Vilela, solicitando que os representantes das secretarias de Estado se opo-nham à supressão da restinga.
A ideia dos estudantes não agradou nem um pouco aos estrategistas da campanha do governador à reeleição. Segundo uma fonte do Palácio há o temor de que a oposição utilize o fato para apresentar a atual administração estadual como a maior patrocinadora de supressão de manguezais e restingas da história recente de Alagoas. Depois da destruição dos 10 hectares de manguezal exigidos pela duplicação da rodovia AL-101 Sul e dos mais de 100 hectares que serão sacrificados pelo estaleiro a ser implantado em Coruripe, os marqueteiros do governador consideram dose cavalar absorver o desgaste pela supressão do que ainda existe da restinga do Francês.
Seja como for, a votação da Licença de Implantação do mega condomínio denominado "Barra de São Miguel" vai dar o que falar, até porque o Ministério Público Federal já foi provocado pela comunidade que defende a restinga e deverá ingressar com Ação Civil Pública caso a empresa paulista não recue de sua pretensão, para garantir a maior parte do seu projeto, situado do outro lado da pista. Algo como dar os anéis para não perder os dedos.

Sibutramina não pode mais ser receitada para pacientes da rede pública de São Paulo

11/06/2010 - 11h00

Tatiana Pronin

Conselho avaliará médicos que mais receitam substância para emagrecer
Brasileiros consumiram quase 2 toneladas de sibutramina em 2009, revela Anvisa
Anvisa limita venda de medicamentos para emagrecer
Medicamentos com sibutramina agora serão "tarja preta"

Pacientes que utilizam a rede pública do município de São Paulo não podem mais ser tratados com sibutramina, medicamento que atua como inibidor de apetite e teve prescrição restringida pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em março deste ano.

A droga faz parte de uma categoria de medicamentos chamada B2, da qual fazem parte também os anorexígenos (inibidores da fome) derivados da anfetamina, como afepramona e fenproporex. Esses remédios só podem ser vendidos mediante apresentação de uma receita azul com numeração específica, fornecida aos médicos pela Vigilância Sanitária de cada região.
Em um documento obtido pelo UOL Ciência e Saúde, a Área Técnica de Assistência Farmacêutica, subordinada à Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, informa que, diante de estudos que mostram os riscos do medicamento a pacientes com problemas cardiovasculares, não autoriza a confecção de talonários de notificação de receita B2 para prescrição de sibutramina.

O texto também diz que os fármacos utilizados no tratamento da obesidade e do sobrepeso “não têm lugar na terapêutica” e que “a Administração não pode e não deve propiciar o acesso a produtos farmacêuticos que não trazem benefícios aos pacientes, como é o caso dos supressores de apetite de ação central”.

Embora a sibutramina não tenha sido proibida pela Anvisa, a política para obtenção da receita B2 é definida por Estados e municípios. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, a restrição é exclusiva à sibutramina, e não a outros remédios para emagrecer.

Endocrinologistas ligados à Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade) temem que a medida seja estendida para outras regiões, o que pode prejudicar um número ainda maior de pacientes da rede pública que sofrem de sobrepeso ou obesidade, condições que comprovadamente aumentam o risco de diversas doenças. “A sibutramina não é uma panaceia, mas funciona para certos pacientes que não conseguem perder peso só com dieta e exercícios”, diz a médica Rosana Radominski, presidente da Abeso.

Restrições
Desde o início do ano, agências reguladoras de medicamentos vêm fechando o cerco à sibutramina. O motivo foi a publicação do estudo Scout (Sibutramine Cardiovascular Outcomes Trial), uma pesquisa que contou com cerca de 10 mil pacientes de 55 anos ou mais e história de doença cardiovascular ou diabetes tipo 2. Eles foram avaliados ao longo de seis anos. Os resultados indicaram que o risco de desenvolver enfermidades cardiovasculares (como derrame e infarto) era 16% maior nos pacientes que utilizaram o remédio em relação aos tratados com placebo.

Com base no estudo, a EMA (European Medicine Agency), agência regulatória da União Europeia, decidiu proibir a comercialização da sibutramina em todo o bloco. Os EUA foram menos rigorosos e o FDA (Food and Drug Administration), que regula a venda de remédios e alimentos no país, incluiu novas contraindicações na bula do produto, para evitar a prescrição do remédio a pacientes com história de doença cardiovascular e/ou diabetes tipo 2. A conduta, no Brasil, foi a mesma, e a Anvisa enviou um alerta às entidades médicas.

No entanto, no fim de março, a Anvisa decidiu reclassificar a sibutramina, transferindo a droga da categoria C1 (que prevê a retenção de receita pelas farmácias) para a B2, referente aos psicotrópicos anorexígenos. Além do receituário ser mais controlado (os médicos têm de ir a um endereço específico para obter a numeração e mandar confeccionar o talonário), os profissionais não podem prescrever mais do que 30 dias de tratamento. Além disso, o produto vem com a tarja preta que alerta para o risco de dependência - a sibutramina é um antidepressivo que estimula a saciedade e, segundo os médicos, não provoca dependência.
Consumo abusivo
O objetivo da mudança, segundo a assessoria de imprensa da Anvisa, foi não apenas proteger a saúde dos pacientes, mas coibir a venda indiscriminada da sibutramina no país. O primeiro relatório do Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados, concluído este ano pela agência, indica que a população brasileira consumiu, em 2009, quase 2 toneladas da droga. O aumento mais marcante foi observado antes do verão. No mesmo período, o consumo de anfepramona chegou a 3 toneladas.

O relatório também aponta que o profissional que mais receitou a sibutramina no período foi um especialista em medicina do tráfego. Não existe restrição legal para que um médico dessa especialidade receite um remédio para emagrecer, mas o fato, considerado pouco ético, foi encaminhado ao Conselho Federal de Medicina.
Questionamentos
Médicos ouvidos pelo UOL Ciência e Saúde concordam que o abuso na prescrição de medicamentos deva ser contido. Mas acreditam que a medida, estimulada por alguns médicos pouco criteriosos, acabe prejudicando os pacientes que realmente precisam desse tipo de droga.

A presidente da Abeso afirma que mesmo os anorexígenos conhecidos por provocar tolerância, como a anfepramona, às vezes são a única opção para tratar certos casos – por exemplo, quando o paciente precisa emagrecer rápido porque vai ser submetido a uma cirurgia e a obesidade aumenta o risco de complicações. Ela lembra que o orlistat, outra droga disponível para reduzir a absorção de gordura pelo organismo, ainda é muito caro.

O médico Márcio Mancini, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, questiona as reações das autoridades à sibutramina. "O estudo Scout foi feito em pessoas com mais de 55 anos e histórico de doença cardiovascular e diabetes, um tipo de paciente que para o qual dificilmente receitávamos a substância, já que ela pode elevar um pouco os batimentos cardíacos", comenta. A sibutramina também pode provocar efeitos colaterais como boca seca, insônia e prisão de ventre.
Mancini conta que o fim da patente da sibutramina fez com que os preços de genéricos e similares da droga caíssem muito nos últimos dois anos, o que gerou aumento no consumo. Segundo ele, muitos médicos até deixaram de prescrever anorexígenos passíveis de provocar dependência, que são baratos, porque o tratamento com sibutramina passou a ser acessível.

O endocrinologista acredita que o total de 2 toneladas divulgado pela Anvisa não deveria causar tanto impacto, porque o problema para o qual é usado tem alta prevalência no país. Para se ter uma ideia, quase metade dos paulistanos apresentam sobrepeso. Já a incidência de obesidade varia de 13% a 15% em todo o país. "Se um terço dos obesos tomasse 10 mg de sibutramina diariamente, que é a menor dose, após três meses o total seria de aproximadamente 7 toneladas do medicamento", calcula.

Pelo lado dos pacientes, a decisão da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo traz outra questão: se a sibutramina traz tantos riscos aos pacientes, por que não foi banido pela Anvisa? Para o Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), os novos riscos apontados pelos pesquisadores e a proibição da sibutramina na Europa já seriam motivo para suspender a venda do produto no Brasil.

"O rigor maior na prescrição e na venda não elimina os risco para os pacientes que utilizarem o produto. Por isso, o Idec considera que, em nome do direito à saúde e do princípio da precaução, a sibutramina deveria ser suspensa no país", afirma Mirtes Peinado, consultora técnica do Idec.

Novos estudos mostram que a dopamina não é a grande vilã do vício

12/06/2010 - 12h42

Lilian Ferreira*
Até bem pouco tempo, falar de vício era falar do efeito da dopamina no cérebro e do sistema de gratificação (o cérebro se viciaria no prazer proporcionado seja pela droga ou por comida, por exemplo).

Agora, as vozes que levantavam outros caminhos ganharam uma ajuda de peso: Jen-Pol Tassin, pesquisador do Quai St. Bernard na França. Ele recebeu no final de 2009 o prêmio do European College of Neuropsychopharmacology por seus mais recentes trabalhos que propõe uma nova teoria para explicar a dependência.

Os estudos de Tassin comprovam que o consumo de drogas provoca uma dessincronia entre um neurônio específico que é receptor de noradrenalina e um outro neurônio receptor de serotonina. “No cérebro normal eles funcionam juntos, um regulando o outro. As drogas provocam o desacoplamento deste sistema, o que gera a dependência”, explica o neurocientista no 6° Congresso Brasileiro de Cérebro Comportamento e Emoções, que termina neste sábado (12), em Gramado, no Rio Grande do Sul.

“Estas novas pesquisas indicam que a dopamina não tem tanto a ver com o processo de dependência quanto imaginávamos”, diz Pedro do Prado Lima, especializado em bioquímica e professor da PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul).

Tassin afirma ainda que a nicotina sozinha não vicia, o que é viciante no cigarro é a sua combinação com o tabaco, este sim com substâncias que criam dependência. Em testes com roedores, a nicotina sozinha não produziu dependência. Isto permitiu que ele patenteasse um novo tratamento de combate ao tabagismo.

“Atualmente, o efeito placebo é mais eficaz que os tratamentos de substituição da nicotina exatamente porque ela não tem o fator viciante”. Segundo Tassin, a droga para substituir o cigarro deve agir na recepção de um tipo de serotonina (5HT-2A) que provoca o vício.

Pesquisas mais antigas como a de Prado Lima já indicavam outras causas para a dependência. A primeira parte de seu estudo publicada em 2004 mostra que pequenas alterações genéticas (que todos temos) seriam responsáveis por diminuir em até 20% a expressão gênica dos receptores de neurotransmissores no cérebro. Com isto, os neurônios seriam mais resistentes a serotonina, noradrenalina e dopamina, e por consequência, mais suscetíveis à dependência.

“Na população, 25% tem menos receptores, 25% tem mais e 50% fica na média”, explica. “Dos que tem menos, a chance de parar de fumar é metade. Já entre os que têm mais receptores, a chance de largar o vício é de 83%”. Assim, quanto mais receptores você tem, maior a chance de largar o vício.

“As drogas são como um cavalo de troia, ativam profundamente um sistema, mas são ruins, já que são exigidas cada vez mais para que o efeito se repita”, faz a analogia Prado Lima.

Claro que questões já conhecidas como estresse, meio ambiente e disponibilidade da droga também facilitam a dependência.

* A editora-assistente viajou a convite da organização do evento

Quando o Mal de Alzheimer atinge os mais jovens

13/06/2010 07h00- Por New York Times

Vídeo abaixo:

http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultnot/multi/?hashId=quando-o-mal-de-alzheimer-atinge-os-mais-jovens-0402193670D4B99386&mediaId=4975862
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