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quarta-feira, 20 de abril de 2011

As lições do desastre na British Petroleum (BP)

Um ano depois do maior acidente petrolífero dos EUA, indústrias e governos recorrem à ciência e à engenharia para tentar evitar que a tragédia se repita

Larissa Velos0


2010
Aves e peixes foram as maiores vítimas do derramamento no Golfo do México



Um grupo de corais com mais de dois mil anos de idade foi encontrado vivo no Golfo do México na última semana. A área foi cenário do maior vazamento de petróleo da história dos Estados Unidos, um desastre que começou com a explosão da plataforma Deepwater Horizon – da companhia British Petroleum –, em 20 de abril do ano passado, e deixou o triste saldo de 11 mortos.

Ao longo de meses, absurdos 4,9 milhões de barris de óleo negro jorraram do fundo do Atlântico. A sobrevivência de um organismo frágil como um coral mostra que ao menos parte da natureza resistiu à catástrofe. Mas o golpe foi sentido pelo setor petrolífero, que busca soluções para que tragédias ambientais semelhantes não voltem a ocorrer.

Acima do nível do mar, cientistas e engenheiros investem em tecnologias capazes de aumentar a segurança na exploração em alto-mar. O maior perigo em uma plataforma é o chamado “blow-out”, explosão que ocorre a partir de gases inflamáveis que escapam do subsolo e atingem a atmosfera. Para interromper o caminho dessas substâncias, as estruturas contam com um mecanismo de segurança de 16 metros de altura, que sela a passagem dos gases em caso de emergência. Esse aparato não funcionou no acidente da BP e é agora um dos principais alvos dos especialistas.



CATÁSTROFE
O acidente derramou 4,9 milhões de barris de óleo no mar. Mesmo assim, um coral de dois mil anos foi encontrado vivo, quase um ano depois



No Brasil, pesquisadores do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), ligado à UFRJ, têm tentado determinar quais são as falhas mais comuns no equipamento. Eles usam a simulação computacional para chegar a modelos mais seguros e à prova de falhas. Em tempos de pré-sal, a preocupação com segurança precisa ser ainda maior. Afinal, além de terem de perfurar a rocha, as sondas atravessarão uma camada de sal de dois quilômetros. “A indústria do petróleo reviu vários procedimentos de segurança”, afirma a Petrobras, em nota, sem citar quais medidas teriam sido revistas no Brasil. O comunicado enviado pela estatal à ISTOÉ afirma que a maior profundidade não é um agravante e cita a importância da tecnologia. Os técnicos da empresa já usam simuladores 3D para inserir pesquisadores no ambiente que será perfurado no futuro próximo.

A prevenção não é a única preocupação depois do desastre do Golfo do México. “A tecnologia que foi usada para conter o vazamento ainda é a mesma desde o acidente no Alasca com o navio Exxon Valdez, em 1989”, afirma Bob Deans, coautor de “In Deep Water” (“Em Água Profunda”), livro sobre o caso do ano passado. Grandes empresas como BP, ExxonMobil e Shell criaram uma companhia para lidar exclusivamente com a resposta a desastres, que fornecerá equipamentos para eventuais operações tapa-buraco. Só resta torcer para que a capacidade de sobrevivência dos corais não seja colocada, mais uma vez, à prova.



http://www.istoe.com.br/
N° Edição: 2162 15.Abr.11 - 21:00 Atualizado em 20.Abr.11 - 11:03

terça-feira, 12 de abril de 2011

Brasil ainda não tem solução para o lixo radioativo

Embora o País já disponha de tecnologia para construir um depósito definitivo para os resíduos, todo o material gerado no complexo nuclear desde o início das operações das usinas, em 1986, está armazenado de forma temporária.

Passados 26 anos que o Brasil produz energia nuclear, a solução definitiva sobre o que fazer com o lixo radioativo gerado pelas usinas de Angra 1 e 2 ainda esbarra em decisões políticas para se tornar realidade. Embora o País já disponha de tecnologia para construir um depósito definitivo para os resíduos, todo o material gerado no complexo nuclear desde o início das operações das usinas, em 1986, está armazenado de forma temporária.

Com o início das operações de Angra 3 previsto para dezembro de 2015 e a capacidade dos depósitos de Angra 1 e 2 perto do limite, o governo brasileiro terá que alcançar uma solução nos próximos anos. O projeto para a construção de um depósito final também esbarra em uma questão polêmica: a escolha do local que receberá os materiais radioativos, um vizinho considerado indesejado.

Desde que Angra 1 e 2 entraram em operação, já existem 2.777 m³ de lixo radioativo (sem considerar as varetas de urânio), quantidade suficiente para encher pouco mais de uma piscina olímpica. Esses resíduos estão guardados, de forma provisória, em um depósito que fica próximo ao complexo nuclear.

Entre os resíduos considerados perigosos, estão peças, ferramentas e roupas que tiveram contato com a radiação, considerados de média e de baixa radioatividade. O lixo radioativo pode emitir radiação por milhares de anos e, se guardado de forma irregular, pode causar um desastre como o que aconteceu em Goiânia, com o Césio-137, que provocou a morte de 60 pessoas.

À época, em 1987, catadores de lixo desmontaram equipamentos que continham material radioativo e que haviam sido abandonados por uma clínica de saúde desativada. Segundo a CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear), órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia responsável por licenciar e fiscalizar as operações das usinas, esse material está armazenado de forma segura no único depósito definitivo para lixo radioativo que existe no Brasil, localizado na cidade Abadia de Goiás, na região metropolitana de Goiânia.

Tambores concretados em piscina

De acordo com o diretor de Radioproteção e Segurança Nuclear da CNEN, Laércio Antônio Vinhas, a elaboração do projeto que dará destino final ao lixo radioativo é “uma das prioridades da comissão”.

- A tecnologia nós já temos. O projeto de Goiânia é mais simples, mas a concepção é a mesma. Ele explica que entre o material radioativo e o ambiente deve haver até oito barreiras físicas. O lixo será armazenado em tambores, que são concretados e vão para uma espécie de piscina vazia que é completada com mais concreto. Depois disso, esse tanque será fechado com uma laje e, em cima de tudo isso, ainda haverá mais uma cobertura de concreto e de terra.

Para Vinhas, uma das alternativas para resolver o impasse sobre o local onde esse depósito deve ser construído é a criação de uma espécie de “royalty inverso”, sistema em que os municípios receberiam dinheiro não pela extração de um recurso mineral, mas para guardar o lixo radioativo.

- Não é um problema técnico, mas sim político. Na Coreia, por exemplo, o governo abre uma concorrência invertida. As cidades disputam para receber o depósito por conta das compensações financeiras.

Outro tipo de resíduo produzido nas usinas é o combustível que fica no interior das varetas de urânio. Quando chega ao fim, elas são armazenadas em um tanque coberto com água (a água funciona como barreira que evita emissão de radiação).

Segundo a Eletronuclear, as piscinas têm vida útil até 2020. Depois disso, será preciso dar um novo fim para esse combustível. Em outros países que usam energia nuclear, o urânio é reprocessado e reutilizado, como explica o coordenador de Comunicação e Segurança da Eletronuclear, José Manuel Diaz Francisco.

- O urânio pode ser reprocessado para um novo ciclo de uso, mas o Brasil ainda não reprocessa. Essa é uma decisão que cabe ao governo brasileiro.

Passivo ambiental

O professor de engenharia nuclear da Coppe - Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da UFRJ e PhD em energia nuclear no Massachusetts Institute of Technology, Antonio Carlos Marques Alvim, diz que já existe tecnologia para armazenar com segurança material radioativo sem uso.

- Uma das críticas em relação à energia nuclear era sobre o destino dos rejeitos [resíduos], mas hoje já há estudos para melhorar os reservatórios e para a transmutação dos rejeitos, ou seja, para diminuir seu tempo de vida e causar menos impacto para o ambiente.

Sem entrar na discussão sobre como garantir a segurança no armazenamento desses materiais, o coordenador da campanha de energias renováveis da ONG Greenpeace, Ricardo Baitelo, chama a atenção para uma questão de difícil solução e que ainda representa um enorme desafio não apenas para o Brasil, mas para todos os países que usam energia nuclear.

Para ele, o mais grave problema envolvendo a questão são "os passivos nucleares que serão passados de geração para geração, a perder de vista".

- Esse combustível terá de ser estocado por muitos anos. A gente não está falando só de centenas de anos, mas de milhares de anos. Como é que se sabe se existe uma estrutura capaz de manter isso seguro e imune à qualquer acidente? Não só a terremotos como o do Japão, mas à mudança na elevação do nível do mar, considerando as mudanças climáticas que ocorrerão ao longo dos anos?

Japão aumenta para nível máximo o acidente nuclear de Fukushima

A Comissão de Segurança Nuclear do país sobe de 5 para 7 o desastre. Eles aumentaram, depois de analisar, os efeitos do vazamento radioativo sobre a saúde dos moradores da região e o meio ambiente. Um mês depois das tragédias do terremoto e do tsunami que devastaram o Japão, o governo do país vai aumentar para o nível máximo a gravidade do acidente nuclear de Fukushima. O desastre passa agora de 5 para 7 na escala internacional que mede os acidentes atômicos. Esse é o mesmo nível do desastre nuclear de Chernobyl, até agora o pior já registrado. A decisão foi tomada pela Comissão de Segurança Nuclear do Japão, depois de analisar os efeitos do vazamento radioativo sobre a saúde dos moradores da região e o meio ambiente. O aumento da gravidade do acidente de Fukushima vai ser anunciado pelas autoridades japonesas nesta terça-feira (12).

terça-feira, 5 de abril de 2011

Japão vai jogar cerca de 11,5 mil toneladas de água radioativa no mar

Governo afirma que nível de radioatividade é baixo.

Número de mortos por tsunami passa dos 21 mil, segundo a polícia.

A Tokyo Electric Power (Tepco), empresa que administra a usina nuclear de Fukushima, afirmou nesta segunda-feira (4) que vai despejar no Oceano Pacífico cerca de 11,5 mil toneladas de água radioativa acumuladas nas instalações da central.

De acordo com a empresa, os índices de radiação na água que será jogada ao mar são aproximadamente 100 vezes acima do normal. A Tepco afirma que o nível de radiação é considerado 'relativamente baixo'.

Um funcionário do governo japonês disse que não há alternativa. "Não temos opção senão despejar essa água contaminada ao mar como medida de segurança", disse o porta-voz do governo, Yukio Edano.

Também nesta segunda-feira (4) a Tepco informou que usou líquido com corante em um túnel próximo ao reator 2 da central para tentar determinar a rota pela qual a água radioativa vaza para o mar.

Segundo informações da televisão "NHK", os funcionários verteram o líquido de cor branca em um túnel que conduz à fossa onde no sábado (2) foi detectada uma rachadura de cerca de 20 centímetros, que permite que água com uma elevada radioatividade vaze para o mar.

A empresa tentou deter o vazamento selando a rachadura com concreto e injetando polímero em pó para absorver a água, mas nenhuma nenhuma dessas duas medidas obteve sucesso. O objetivo do corante é poder seguir a rota exata pela qual a água contaminada chega ao mar.

A Tepco estuda ainda tapar a rachadura com produtos químicos ou instalar uma barreira no litoral para conter a água radioativa. De forma paralela, os técnicos continuam os esforços para drenar a água radioativa que inunda os porões dos prédios de turbinas das unidades 1, 2 e 3, e dificulta seriamente os trabalhos para esfriar os reatores da central de Fukushima.

Número de mortos

O Japão foi atingido no dia 11 de março por um terremoto de magnitude 9, seguido por tsunami, na região nordeste do país. Segundo último balanço divulgado pela polícia nesta segunda-feira (4), o número de mortos aumentou para 12.157. Os desaparecidos totalizam 15.496 pessoas.

Além disso, quase 160 mil pessoas que moravam nas províncias de Miyagi, Iwate e Fukushima, as mais devastadas pela catástrofe, continuam abrigadas nos 2.100 refúgios temporários.

(*com informações da Reuters e EFE)

(Fonte:G1-04/03/11)


segunda-feira, 4 de abril de 2011

Angra 3 ganha licença sem que Eletronuclear mantenha áreas de conservação ambiental

Carla Rocha


Uma alteração — ainda mal explicada — tirou do texto final da licença de instalação da usina nuclear de Angra 3, concedida no final de 2009, o item que obriga a Eletronuclear a assumir a manutenção e o custeio de duas importantes unidades de conservação na região de Angra dos Reis, o Parque Nacional da Serra da Bocaina e a Estação Ecológica (Esec) de Tamoios. A exigência, que constava da licença prévia, de 2008, simplesmente desapareceu. Até hoje, o convênio em que a Eletronuclear se compromete a repassar R$ 13 milhões em cinco anos para o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, que administra as unidades, não foi assinado. Para especialistas em licenciamento ambiental, a situação é atípica e irregular. Reportagem do GLOBO, há uma semana, mostrou que a Eletronuclear contratará uma auditoria para reavaliar a segurança das encostas no entorno das usinas de Angra 1 e Angra 2.


Com grande área de Mata Atlântica nativa, o Parque Nacional da Serra da Bocaina, da década de 70, e a Esec de Tamoios, de 90, foram criados como uma forma de proteção ao meio ambiente justamente em decorrência da instalação das usinas nucleares na região. A inclusão das unidades no rol das condições para a instalação de Angra 3 foi considerada uma vitória do ministro do Meio Ambiente na época, Carlos Minc, atual secretário de Ambiente do estado.


Minc também incluiu na licença prévia outras exigências que chegaram a gerar polêmica: a Eletronuclear deveria se comprometer com a construção de um repositório — destino final para o lixo atômico, que está até hoje em depósitos iniciais no terreno das usinas —, contratar um monitoramento ambiental de um órgão externo e destinar recursos para as obras da estrada Paraty-Cunha. Esta última é uma importante rota de fuga em caso de acidente, que ainda não saiu do papel por não terem ainda sido cumpridas exigências feitas pelo Ibama.


Minc disse ontem ter sido surpreendido pela notícia de que a exigência relativa às unidades de conservação não consta mais da licença de instalação. Ele revelou que, quando ainda estava à frente do Ministério do Meio Ambiente, recebera a denúncia de que o item havia sido subtraído do documento e exigiu do então presidente do Ibama, Roberto Messias Franco, que fosse feita uma retificação.


quarta-feira, 23 de março de 2011

Angra 2 opera com licenciamento ambiental incompleto

A usina nuclear de Angra 2 opera comercialmente há uma década com o licenciamento ambiental incompleto. Ela possui apenas a licença de operação inicial e não a permanente, conforme exigem as regras.

O licenciamento de usinas nucleares no Brasil é feito pelo Ibama e posteriormente pela Cnen (Comissão Nacional de Energia Nuclear). Angra 2 possui o parecer favorável do Ibama mas ainda não recebeu da Cnen a autorização de operação permanente (AOP).

Angra 1 possui o licenciamento completo.

O presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro, estatal que administra as usinas nucleares brasileiras, disse que a falta da licença permanente não compromete a segurança da usina. "A empresa já cumpriu todos os requisitos para ter a licença definitiva", disse ao participar de audiência pública realizada nesta quarta-feira no Senado Federal.

Segundo ele, a licença permanente ainda não foi emitida porque o pedido está paralisado no Ministério Público Federal, que entende não ter sido cumprido o termo de ajuste de conduta firmado com a estatal, subsidiária da Eletrobras, a Cnen e o Ibama.

http://www.jornalfloripa.com.br

Nordeste reavalia interesse em usinas nucleares após desastres

Governo federal deve descartar anúncio do local das novas usinas ainda neste semestre, depois do ocorrido no Japão

O Brasil volta a discutir oficialmente hoje a instalação de pelo menos quatro novas usinas nucleares no território nacional em um debate certamente contaminado pelo tema da radiação, após o tsunami no Japão. Até o incidente em Fukushima, população e políticos tinham uma vaga ideia sobre o risco de um vazamento nuclear de grandes proporções. Agora, retomada a veiculação de imagens dos impactos da radiação, 25 anos depois de Chernobyl, os políticos e a população em geral olham para os bilhões de reais que a obra traz à região, mas com uma dose extra de receio.

Foto: Léo Ramos
Da direita para esquerda, Angra 1 e Angra 2. A primeira começou a funcionar em 1982 e a segunda, em 2000

A partir das 11 horas ocorre na Câmara dos Deputados audiência pública sobre a situação Programa Nuclear Brasileiro. Segundo o Plano Nacional de Desenvolvimento Energético (PNDE), o Brasil deve construir até 2030 pelo menos quatro usinas nucleares de 1 mil Megawatts, sendo duas em uma cidade do Nordeste e duas no Sudeste.

As novas usinas estariam 40 anos à frente às de Fukushima em termos de segurança, porque as japonesas já tinham essa idade, mas, mesmo assim, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas recuaram um pouco diante da possibilidade de receberem as usinas. Eles estavam de olho, principalmente, na chegada de indústrias ao redor das usinas, além de empregos e impostos. Agora, veem também o risco.

Foto: Léo Ramos
A divisão do urânio libera radiação e gera calor, iniciando outros dois sistemas na usina, como mostra o esquema

Em Pernambuco, o governador Eduardo Campos chegou a afirmar, nas últimas semanas, que a decisão sobre as próximas usinas nucleares não deve ser tomada nos próximos quatro anos. “A usina não está na pauta”, afirmou ele, descartando o pleito que tinha anteriormente.

Para o secretário-adjunto de Minas e Energia de Alagoas, Geoberto Espírito Santo, é bom que a definição do local de instalação das usinas demore mais e supere esta fase mais emocional e ideológica após o acidente. “É preciso entendermos que o que provocou o acidente é algo muito remoto de ocorrer no Brasil, entretanto, não devemos deixar de lado os sinais de que nunca pode acontecer.”

Espírito Santo diz que o Estado de Alagoas não pode, por um nível de risco muito pequeno, deixar de receber investimento de R$ 10 bilhões. “Tudo na vida são custos e benefícios, por isso precisamos saber melhor o que aconteceu." Ele se refere à possibilidade bem menor de haver terremotos e tsunamis no território brasileiro do que no japonês.

Em Sergipe, Estado que também pleiteia a usina, o governador Marcelo Déda divulgou uma nota afirmando que o Brasil terá que reavaliar a segurança das nossas usinas e rediscutir o seu programa de expansão nuclear com novas instalações. “A pretensão do Estado de Sergipe em disputar a instalação de uma usina no nosso território pressupõe garantias plenas de segurança das instalações. Sem essas garantias, não há como defender tais empreendimentos”, declarou o governador.

Energia nuclear já ficou mais cara

Independentemente do risco ambiental e humano, já é praticamente certo esperar que a energia nuclear fique mais cara no mundo depois dos incidentes. Especialistas explicam que, em geral, as mesmas seguradoras que atuam no Japão fazem apólices para o mundo todo. O custo de seguro compõe o valor total que vai resultar na tarifa paga pelo usuário da energia. A ponderação de custo e benefício ambiental entre uma usina nuclear e uma hidrelétrica também pode ser revista pela sociedade momentaneamente.

Para o deputado Fernando Ferro (PT-PE), um dos autores do pedido de audiência na Câmara, é preciso repensar a instalação das usinas. “É como quando ocorre um acidente de avião, as pessoas ficam um tempo com medo de voar.” Para o deputado, é necessário aumentar o debate com a sociedade sobre a instalação das usinas, para saber se a população quer ou não viver perto de uma usina. “Não acho que todos que moram em Angra queiram o fim das usinas agora.”

Decisão agora seria politicamente incorreta

No entanto, os governos reconhecem que este não seria um momento politicamente correto para se anunciar a instalação das usinas. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, já declarou abertamente que as usinas terão sua segurança testada, mas ainda não reviu o prazo antes declarado, de que neste semestre ainda indicaria os locais de implantação. No entanto, essa medida já é tida como certa.

Após o vazamento de energia no Japão, o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, declarou que a presidenta Dilma Rousseff, “está extremamente preocupada com os efeitos, inclusive aqui sobre a nossa política, de toda essa questão da energia atômica, nuclear. Temos que, com responsabilidade, olhar isso. A presidente está o tempo todo acompanhando as informações e tomando as providências que forem necessárias.”

Técnicos avaliam locais possíveis

A demora para definição dos locais decorre também do fato de o governo ter resolvido interromper a segunda fase de avaliação dos sítios onde seria possível instalar as usinas para refazer a primeira fase de avaliação de todo o território nacional. Quem faz essa avaliação é a Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras. Esse grande atlas, de onde podem ser instaladas usinas nucleares no Brasil e onde podem ser depositados os resíduos nucleares, deverá ficar pronto em poucas semanas.

A decisão final de onde instalar as usinas vai ser política, mas o atlas da Eletronuclear levará em conta os cursos de instalação e transmissão de energia e o potencial de desenvolvimento regional com a instalação de novas usinas. O atlas vai avaliar 50 critérios sobre cada local possível.

Estarão na Câmara hoje Alfredo Tranjan Filho, presidente das Indústrias Nucleares do Brasil (INB); Odair Dias Gonçalves, presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), e o presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva. Na próxima audiência, o minsitro Lobão será convidado a dar mais explicações sobre o programa nuclear.

Atualmente, a CNEN coloca em curso uma pesquisa sobre o que fazer com os resíduos da geração de energia nuclear, que são altamente radioativos. A partir do atlas da Eletronuclear, também poderá ser escolhido um local no país para depósito permanente desses resíduos.

http://economia.ig.com.br

sexta-feira, 18 de março de 2011

Possibilidades de tsunami em Alagoas

Reportagem do PAJUÇARA MANHÃ no dia 16/mar/2011.

Acidente nuclear no Japão faz os EUA tremerem

Por Andrea Lunt, da IPS

Nova York, Estados Unidos, 17/3/2011 – Enquanto o Japão segue lutando contra uma ameaça nuclear, legisladores, ativistas e representantes da indústria atômica dos Estados Unidos debatem sobre o futuro de seu próprio país. A polêmica está centrada na capacidade de Washington para enfrentar uma eventual crise semelhante à vivida pela cidade japonesa de Fukushima depois do tsunami do dia 11.

Existem 104 reatores nucleares nos Estados Unidos, 35 utilizando sistemas similares aos afetados no Japão. Legisladores como Edward Markey, do governante Partido Democrata, hoje questionam sua segurança. Em uma carta à Comissão Reguladora Nuclear (NRC) do dia 11, Edward expressa preocupação pela capacidade de resistência das centrais nucleares do país, várias delas sobre falhas geológicas, ou próximas.

Especial preocupação, destacou, é o projeto de reator fabricado pela Westinghouse e atualmente em exame pela NRC, que falhou nas provas de impactos sísmicos. Segundo Edward, um alto engenheiro da NRC assegurou que a estrutura de proteção interna do reator AP1000 é tão frágil “que poderia se destroçar como um copo de vidro” diante da pressão gerada por um terremoto.

O congressista também expressou preocupação pela capacidade de Washington para responder a um desastre, depois de recentes revelações de que a Agência de Proteção Ambiental, a NRC e a Agência Federal de Administração de Emergências não conseguiram chegar a um acordo sobre quem lideraria os esforços caso ocorra algo similar ao registrado no Japão. Edward solicitou completa investigação sobre as regulamentações de segurança à luz dos acontecimentos no complexo japonês de Fukushima, onde se teme um grande vazamento de radioatividade.

Foi criada uma zona de exclusão de 20 quilômetros em torno do complexo, e a imprensa local informou que aumentavam os níveis de radiação em Ibaraki, localizada entre Fukushima e Tóquio. O governo japonês minimizou a ameaça, apesar de solicitar urgente ajuda da NRC e da Agência Internacional de Energia Atômica.

Por sua vez, a administração de Barack Obama insiste que as centrais atômicas dos Estados Unidos são seguras e rejeitou os pedidos de uma moratória nos planos de desenvolvimento nuclear. O independente Instituto de Energia Nuclear também tentou conter o medo. Em uma declaração em seu site disse que é muito “prematuro” traçar paralelos entre os programas nucleares de Japão e Estados Unidos.

“O Japão enfrenta o que literalmente pode ser considerado o pior caso. Mesmo assim, o mais danificado de seus 54 reatores não liberou radiação em níveis que possam afetar a população”, disse o grupo, destacando os avanços obtidos pelo setor atômico nos últimos anos. “Enquanto não entendermos claramente o que ocorreu nas centrais nucleares de Fukushima e suas consequências, fica difícil especular sobre o impacto de longo prazo no programa de energia nuclear dos Estados Unidos”, afirmou.

No entanto, Linda Gunter, do grupo Beyond Nuclear, pediu maior transparência do governo do Japão e das autoridades do setor atômico. Linda disse à IPS que o derretimento parcial dos reatores de Fukushima deveria servir de alerta para os que defendem o uso de energia atômica. “Mesmo deixando de lado a questão da segurança, que obviamente agora está sobre a mesa devido ao que ocorre no Japão, e se a busca é de uma solução para a mudança climática, a energia atômica leva muito tempo para ser construída, os reatores demoram anos para entrar em funcionamento, e são muito caros”, afirmou.

“A maior parte do custo recai nos contribuintes norte-americanos. Então, para que seguir esse caminho?”, acrescentou. Além disso, “a confiabilidade da energia nuclear é praticamente nula em uma emergência quando existe esta confluência de desastres naturais”, ressaltou Linda.

No Japão, onde calcula-se que mais de dez mil pessoas desapareceram no tsunami da semana passada, a população teme o que se considera o maior desastre nuclear desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). À luz disto, a Beyond Nuclear e outras organizações pedem uma completa e gradual eliminação das usinas atômicas e maior investimento em energias verdes. “Temos agora a tecnologia para usar energias 100% renováveis e efetivas”, disse Harvey Wasserman, editor do site Nukefree.org.

“Mas as empresas têm grandes investimentos que seriam ameaçados em caso de renúncia ao carvão, petróleo, gás e energia nuclear”, disse Harvey à IPS. “Também temem a instalação de um sistema de energia que possa ser controlado pela comunidade, e não monopolizado pelo mundo corporativo. Assim, em última análise, é uma luta entre ricos e pobres, corporações e comunidades, entre tecnologia da morte e a que busca a sobrevivência”, acrescentou. Outros especialistas apontaram a perigosa ligação entre energia atômica e a proliferação de armas nucleares.

“O já destacado renascer nuclear definitivamente acabou”, disse John Burroughs, diretor-executivo do Comitê de Advogados sobre Políticas Nucleares e diretor do escritório norte-americano da Associação Internacional de Advogados contra as Armas Atômicas. “Cada reator produz combustível contendo plutônio, que pode ser usado em armas. A ligação entre arsenais e energia atômica deve ser parte de uma revisão do setor”, disse à IPS.

“Sem dúvidas, o desastre no Japão gerará novas demandas para que a indústria nuclear e seus reguladores sejam mais transparentes. As mesmas demandas devem se estender aos responsáveis pelas armas atômicas nos nove países que as possuem”, afirmou John. As cinco potências “declaradas” são China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Rússia, enquanto as quatro “não declaradas” são Coreia do Norte, Israel, Índia e Paquistão.

*Com a colaboração de Kanya D’Almeida.

http://www.envolverde.com.br/materia.php?cod=88009&edt=1

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Nova unidade para reciclar geladeira entra em operação no Brasil

16 de dezembro de 2010 11h 01
O Estado de S. Paulo

Foi inaugurada em Careaçu (MG), a Revert Brasil, mais uma fábrica para realizar a manufatura reversa de geladeiras e aparelhos de ar-condicionado. O processo consiste na desmontagem dos equipamentos antigos, com reciclagem dos componentes, como aço, alumínio e plásticos, e retirada dos gases CFC, que são agressivos à camada de ozônio e também agravam o efeito estufa.

De acordo com Pablo Magalhães, diretor executivo da Revert Brasil, a empresa terá capacidade para fazer o processamento de 400 mil geladeiras por ano. A fábrica deu início às operações com 11 mil geladeiras para serem recicladas, a maioria proveniente dos programas de troca de refrigeradores gerenciados por concessionários de energia elétrica. O governo federal quer reciclar 10 milhões de geladeiras antigas.

“A intenção é oferecer a estrutura para que o País faça a destinação correta desses equipamentos antigos. Muitas acabam indo parar em aterros e lixões, com o escape dos gases para o ambiente”, diz. O maquinário que realiza a transformação das geladeiras veio da Alemanha.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Petrobras recebe propostas para construção e afretamento de sondas de perfuração marítima

27/11/2010 - 09:01

As contratações vão chegar até 28 sondas .
A Petrobras informa que ocorreu no dia 25 de novembro (quinta-feira), a abertura das propostas comerciais de três licitações destinadas à contratação de até 28 sondas de perfuração marítima a serem construídas no Brasil, para atender as demandas de perfuração de poços na camada pré-sal.

De acordo com a Companhia, as três licitações terão prosseguimento através das suas respectivas comissões de licitação, que irão avaliar todas as propostas para dar continuidade aos processos e posteriormente divulgar o resultado final. A Companhia irá decidir ainda pelo número de sondas a serem contratadas em cada modalidade, de acordo com as propostas apresentadas, benefícios gerados e prazo.

“ Concluídos os processos, os mesmos serão submetidos à apreciação da Diretoria Executiva da Petrobras, que irá decidir sobre a quantidade de sondas de cada lote que serão afretadas para a Companhia”, informa.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Alagoas disputa instalação de usina nuclear com mais três estados

Postado por: Raul Rodrigues
Autoria: Agência Alagoas 21/11/2010 22:55:00
São Paulo está fora da corrida pela instalação de novas centrais nucleares no País.

Estudos da estatal Eletronuclear sobre a localização das próximas quatro usinas, programadas para entrar em funcionamento até 2030, levantaram obstáculos técnicos à construção de instalação nuclear no Estado.

Grandes concentrações populacionais, pouca disponibilidade de água e, paradoxalmente, a presença de grande reservatório subterrâneo, o aquífero Guarani, são quesitos que desaconselham o funcionamento de uma central nuclear em São Paulo, de acordo com avaliação realizada pela estatal, a que o jornal O Estado de S. Paulo teve acesso.

As duas próximas usinas nucleares brasileiras serão construídas no Nordeste, às margens do rio São Francisco. A localização exata depende de uma decisão política do futuro governo Dilma Rousseff. Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe disputam a central.

Com a saída de São Paulo do páreo, a Eletronuclear detalha estudos de outras localidades no Sudeste e não está descartada a ampliação das instalações de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, cidade que já abriga as duas primeiras usinas brasileiras. Angra 3 teve as obras retomadas recentemente, depois de mais de 20 anos de paralisação. Minas Gerais e Espírito Santo também têm áreas que são avaliadas pela empresa.

A localização das próximas usinas brasileiras é uma das indefinições do Programa Nuclear Brasileiro e será assunto no primeiro “encontro de negócios” da área, na próxima terça-feira, em São Paulo. Na ocasião, será debatida a possibilidade de a iniciativa privada construir e operar essas novas instalações, por meio de concessões, como já acontece com usinas hidrelétricas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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